Histórias
A Zona Bolivariana da Cáritas LAC reúne-se em Cochabamba a caminho do XXI Congresso Regional
De 15 a 19 de junho de 2026, representantes das Cáritas nacionais da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela se reunirão em Cochabamba, Bolívia, no âmbito do Encontro da Zona Bolivariana rumo ao XXI Congresso Regional da Cáritas América Latina e Caribe. O evento reúne bispos presidentes, diretores nacionais, delegados e equipes de trabalho dos cinco países, animados pelo lema "O amor de Cristo nos impele"e pelo espírito de sinodalidade que move toda a família Caritas neste ano do seu 70º aniversário.
Chegada e abertura: um reencontro fraterno
Na segunda-feira, 15 de junho, as delegações dos cinco países foram calorosamente recebidos pela Cáritas Bolívia, anfitriã da reunião. À tarde, o dia de abertura foi marcado pela celebração eucarística de boas-vindas, na qual foram feitos agradecimentos pelos 70 anos de história da Cáritas na América Latina e no Caribe, convidando toda a zona bolivariana a iniciar o caminho com oração e memória grata.
O segundo dia começou de manhã cedo com a Eucaristia na qual foi oferecido o encontro com o Senhor. A sessão de abertura contou com palavras de boas-vindas de Dom Gustavo Rodríguez Vega, presente virtualmente, Janeth Márquez, coordenadora da Zona Bolivariana, Elizabeth Zabala, diretora da Cáritas Bolívia, e a intervenção de Nicolás Meyer, coordenador regional da Cáritas América Latina e Caribe.
A manhã foi dedicada ao momento “Ver”, moderado pela Cáritas del Perú. Cada delegação nacional apresentou realidades urgentes no seu país, contrastando sinais de mudança e esperança com os desafios estruturais da região. A Bolívia, como país-sede, teve dez minutos. As apresentações foram enriquecidas por duas apresentações: uma visão zonal da Bolívia sobre a Opção Preferencial para os Pobres e o Desenvolvimento Humano Integral (DIH), e uma mensagem de vídeo com uma perspectiva geopolítica e global feita por uma consultoria da Caritas Internationalis.
O panorama desenhado foi exigente: a região bolivariana enfrenta estados frágeis, crescimento do crime organizado, desconfiança institucional, polarização agressiva, crise energética e a pressão das potências globais sobre os seus recursos. No entanto, também surgiram fortemente sinais de esperança: um setor de jovens com maior pensamento crítico, o crescimento do voluntariado, o reconhecimento público do trabalho da Cáritas na gestão de riscos e o fortalecimento das redes paroquiais.
À tarde, três apresentações sobre o momento de “Julgar” desafiaram a assembleia: Monsenhor José Luis Azuaje, vice-presidente do CELAM e presidente da Cáritas Venezuela, exortou a superar a burocracia e a converter a Caritas num verdadeiro “hospital de campanha”. Padre Nelson Ortiz, diretor da Cáritas Colombiana, afirmou que o amor aos pobres é um requisito para a santidade e que são os pobres que evangelizam. Elvy Monzant refletiu sobre a advocacia como dimensão constitutiva de uma Caritas profética, chamada a ir além de uma ONG para ser a voz de Deus e dos pobres.
O encerramento do dia de terça-feira foi a ocasião para um painel histórico de grande densidade emocional e institucional. Representantes da Cáritas Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia e Equador compartilharam os marcos de suas respectivas organizações, a maioria das quais foram fundadas entre 1956 e 1961. A Cáritas Colômbia relatou como criou o primeiro sistema de registro da população deslocada no país – antes do próprio Estado – através do sistema RUT. A Cáritas Venezuela compartilhou como o programa SAMAN, criado em 2017 para monitorar a desnutrição infantil, quebrou o silêncio informativo sobre a crise humanitária. A Cáritas Bolívia evocou seu apoio histórico à marcha indígena de 1971 e seu papel na proteção de milhares de refugiados venezuelanos em 2017. A Cáritas Equador apresentou o legado de Monsenhor Julio Parrilla, que transformou o pensamento de "fazer Cáritas" no de "ser Cáritas", colocando a dignidade da pessoa no centro. A Cáritas Peru prestou homenagem a figuras que deram suas vidas a serviço da missão.
O painel deixou uma convicção compartilhada: a força da Cáritas não reside nos projetos, mas em milhares de voluntários que, desde as paróquias, encarnam o amor de Deus aos mais vulneráveis.
Juiz: a Cáritas que queremos ser
Na quarta-feira, 17 de junho, na Eucaristia da manhã presidida pela Caritas Peru, os dons do Espírito foram implorados para discernir com sabedoria. O dia começou com a sessão plenária “Juiz”, na qual os grupos de trabalho apresentaram as suas reflexões sobre a identidade que a Cáritas é chamada a encarnar na Zona Bolivariana.
Deste debate emergiu uma imagem comum: a Cáritas que a zona quer construir deve encarnar-se na realidade, ouvir e discernir com os pobres, ter Cristo como centro e força motriz, manter uma identidade clara fundada no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja, e influenciar a política com os seus próprios valores. O risco da “armadilha burocrática” foi fortemente alertado, esquecendo que os funcionários são “colaboradores no projeto de Deus” e não apenas trabalhadores.
Os bispos presentes sublinharam a necessidade de a Caritas estar em profunda comunhão eclesial, cuidar dos seus próprios cuidadores e ser capaz de dizer “não” às condições que comprometem a sua identidade eclesial.
A quinta-feira, 18 de junho, e a sexta-feira, 19 de junho, foram dedicadas ao momento de “Agir”, animado pelo espírito de se deixar levar pelo Vento do Espírito. A Cáritas nacional apresentará propostas concretas sobre questões estruturais: o Sistema de Cooperação Regional, a sustentabilidade face às mudanças na cooperação internacional, a cooperação fraterna e a quota estatutária, a identidade da Cáritas face às ameaças ambientais e o Modus Operandi.
Ao final foi lida a Declaração Zonal, que inclui a voz comprometida e profética da Zona Bolivariana como insumo para o XXI Congresso Regional da Cáritas LAC. Clique em Baixar arquivo(botão abaixo) para ler a mensagem.
(Texto: María Eva Lobo / Fotos: María Eva Lobo, Alvaro Lopez, Paúl Lamiña)