Histórias
“A periferia é o centro”: pesquisa propõe modelo de fortalecimento e liderança local baseado em boas práticas na Amazônia
Cáritas América Latina e Caribe, em colaboração com Cáritas Noruega, apresenta uma pesquisa intitulada "A periferia é o centro: fortalecendo a liderança local para a Amazônia a partir da Cáritas América Latina e Caribe". O trabalho foi coordenado pelo pesquisador Eduardo Ernesto Arias Rodas e pelo Coordenador de Gestão do Conhecimento e Projetos da Cáritas América Latina e Caribe, José Oscar Henao Monje. Também conta com contribuições de Nicolás Meyer, Damiana Lanusse e Liliana Zamudio Vaquiro.
A pesquisa está disponível em versão completa e resumo executivo. O documento busca ser uma contribuição da experiência territorial da Cáritas na Bacia Amazônica para a discussão global sobre a "localização" da ajuda humanitária.
Seu principal objetivo é integrar a ação humanitária com o desenvolvimento sustentável, reconhecendo e capacitando as comunidades locais como atores-chave na proteção e gestão da Amazônia.
Vozes locais e cooperação fraterna
Diante da crise multifacetada que a Amazônia enfrenta, a Cáritas América Latina e o Caribe, em colaboração com os seus parceiros, propõe um modelo de fortalecimento da liderança local (“localização”) centrado na periferia como eixo de transformação.
Este modelo, construído através de um processo participativo com a Caritas nacional e a cooperação fraterna, articula três dimensões inter-relacionadas: o financiamento flexível e sustentável para o desenvolvimento das capacidades locais, a ação da Igreja Católica baseada na solidariedade, na cooperação fraterna e na subsidiariedade, e soluções baseadas nas comunidades e na natureza, priorizando a preservação do conhecimento tradicional.
Potencial e desafios
A análise das boas práticas da Cáritas nacional no Brasil, Bolívia, Equador, Peru, Venezuela e Colômbia mostra o potencial desta abordagem para empoderar as comunidades amazônicas. No entanto, o documento também identifica desafios persistentes, tais como a falta de flexibilidade no financiamento por parte de organizações internacionais e a resistência à mudança para ceder poder e proeminência aos intervenientes locais.
A Cáritas posiciona-se como um interveniente-chave na facilitação da localização, agindo como uma ponte entre os doadores e as organizações locais para garantir que a ajuda seja eficaz e adaptada às realidades do contexto. A proposta busca contribuir para superar as limitações da agenda convencional de localização, oferecendo uma abordagem mais abrangente que potencializa a liderança comunitária.