Histórias
Em Brasília, líderes religiosos da América Latina unem suas vozes pela ação climática na COP 30 e lançam documento
De 18 a 20 de março, cerca de 50 líderes religiosos, representantes de diferentes religiões, organizações ecumênicas, membros de comunidades indígenas e especialistas em clima se reuniram em Brasília para desenvolver demandas comuns e fortalecer a confiança inter-religiosa para a defesa política, oferecendo análises políticas e técnicas. A Cáritas América Latina e Caribe esteve presente neste importante evento por meio de sua Coordenadora de Advocacia, Damiana Lanusse. Da Cáritas Internationalis, o processo é acompanhado pelo Oficial Sénior de Advocacia em segurança alimentar e alterações climáticas, Musamba Mubanga.
Como resultado da reunião, foi lançado "Um Chamado à Ação para a COP30" para emitir um forte apelo à ação climática antes da COP30, que será realizada em Belém do Pará no mês de novembro. O documento é dirigido aos governos integrantes da COP e foi entregue à ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, Marina Silva, que visitou o grupo no último dia do encontro.
Destruição de territórios sagrados
O documento denuncia a destruição da Amazônia e de outros ecossistemas, bem como os impactos nas pessoas que os habitam, causados pela agricultura em grande escala, pela mineração e pela extração de combustíveis fósseis, atividades que priorizam a acumulação de capital. Além disso, destaca a crescente perseguição aos defensores dos direitos humanos e do ambiente.
Neste contexto, “a COP30 em Belém é um momento crucial para reafirmar o nosso compromisso na nossa luta pela justiça climática. Marca o décimo aniversário do Acordo de Paris, um compromisso histórico para limitar o aumento da temperatura global.
Apelo à ação
A mensagem insta os governos e a comunidade internacional a demonstrarem liderança em cinco áreas prioritárias:
- Cumprir as promessas de financiamento: Exigir que o financiamento climático necessário seja garantido, priorizando subsídios e novas fontes de financiamento público, sob o princípio do "poluidor-pagador".
- Garantir a integridade do Fundo de Perdas e Danos: Solicitam que seja operacionalizado imediatamente, incluindo impactos económicos e não económicos, e garantindo a entrega de subsídios este ano.
- Acelerar uma transição justa para longe da dependência dos combustíveis fósseis: Exigem compromissos na COP30 que incluam a transição para energias 100% renováveis, a eliminação progressiva dos subsídios aos combustíveis fósseis e a reorientação destes fundos para o bem-estar social.
- Apoiar as comunidades na adaptação às alterações climáticas: Apelar aos governos para que aumentem o financiamento para a adaptação, incluindo a saúde abrangente, e para que apresentem Planos Nacionais de Adaptação (PAN) liderados pelas comunidades, com protecção dos principais ecossistemas, integridade territorial e direitos humanos.
- Priorizar as vozes dos mais afetados: Insistir na participação equitativa e significativa das comunidades afetadas, incluindo os povos indígenas, as comunidades locais, as crianças, os jovens, as mulheres e os defensores dos direitos humanos, na tomada de decisões climáticas.
Por fim, o documento reafirma o compromisso de acompanhar esse processo, unindo esforços para alcançar a justiça climática.
Baixe o documento em espanhol, português e Português.
Articulação ecumênica e o papel da Cáritas
Damiana Lanusse destacou que este caminho de colaboração ecumênica começou após a COP29 em Bonn, e que desde então, diferentes membros de diferentes grupos religiosos e confissões cristãs se encontraram espontaneamente. “Esta reunião foi essencial para coordenar esforços, preparar nossos líderes sobre os temas e o funcionamento da COP, e para preparar um documento comum: o apelo à ação”, explicou Lanusse.
A Cáritas Internacional e a Secretaria Regional da Cáritas América Latina e Caribe desempenharam um papel central nas reuniões preparatórias, identificando e convocando líderes-chave como Monsenhor Henry Ruiz, de Honduras, e Monsenhor Vicente Ferreira, do Brasil. Além disso, foi facilitada a participação de outras representações católicas como REPAM, Movimento Laudato Si', Franciscanos e Igrejas e Mineiros. “Este esforço responde ao apelo do Papa Francisco à fraternidade e ao caminhar juntos, fortalecendo o diálogo ecuménico e inter-religioso”, disse Lanusse.
A Cáritas está empenhada em continuar a promover a defesa a nível regional, mobilizando a Caritas nacional e as conferências episcopais para participarem ativamente na implementação do Acordo de Paris e da Convenção-Quadro das Nações Unidas, que já tem os seus objetivos bem definidos. “Devemos garantir que as ambições teóricas se traduzam em ações concretas que respondam às expectativas da sociedade civil”, concluiu Lanusse.
(Fotos: Eugenio Albrecht/LWF e Bruno Dias Guedes)