Histórias
Diretores da Cáritas América Latina e Caribe participam de curso sobre proteção de menores com a Comissão Pontifícia
De 13 a 17 de janeiro, 22 bispos presidentes e diretores nacionais da Caritas América Latina e Caribe participaram da segunda edição do curso "Ambientes eclesiais seguros: formação na proteção de menores e pessoas vulneráveis" ministrado pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores.
Durante o curso, desenvolvido nas instalações da Cáritas Internationalis e da Pontifícia Universidade Santa Croce, em Roma, foram abordados os principais temas relacionados com a proteção de menores e pessoas vulneráveis. Um aspecto particularmente significativo do trabalho conjunto com a Comissão Pontifícia foi a oportunidade de contar com um corpo docente altamente qualificado, composto por especialistas neste tema delicado e fundamental.
Patricia Espinosa, coordenadora do curso, destaca que ao longo da semana foi possível abordar as questões básicas de salvaguarda. “Vimos aspectos clínicos, as consequências do abuso sexual nas vítimas, considerámos qual é também o aspecto dos autores ou acusados de abuso sexual, elementos canónicos que devem ser considerados na resposta adequada e eficaz e afectiva para com as vítimas e seus familiares, e vimos também aspectos de comunicação”.
Dr. Espinosa, membro da Comissão Pontifícia, considera o encontro muito frutífero, tal como a primeira edição em 2024, e considera que “a salvaguarda de meninos, meninas, adolescentes e pessoas vulneráveis é um elemento fundamental que atravessa toda a ação da Igreja e da Caritas no seu âmbito pastoral social, é a chave da nossa Igreja”.
A agenda contou com a contribuição de outros oradores, como o secretário da Pontifícia Comissão para a Proteção. dos Menores, Monsenhor Luis Manuel Alí Herrera, que trabalhou a partir da realidade da América Latina, com o Padre Jordi Pujol, professor da Pontifícia Universidade de Santa Croce, que trabalhou em questões de comunicação; Monsenhor Jordi Bertomeu, funcionário do Dicastério para a Doutrina da Fé, que compartilhou o bloco sobre temas ligados ao direito canônico. Padre Daniel Portillo e Inés Franck, do Centro de Proteção de Menores (Ceprome), América Latina, compartilharam seus conhecimentos remotamente.
Criar ambientes seguros
Para o Padre José Abrahan Apolinário Abreu, da República Dominicana, que participou do curso, foram dias extremamente intensos, mas ao mesmo tempo se estabeleceu um clima muito iluminador e fraterno. “Acima de tudo, queremos proteger e cuidar e principalmente criar um ambiente seguro, um ambiente de cuidado. Precisamente vai nos ajudar muito na Cáritas da República Dominicana, porque já estamos dando os últimos retoques para preparar tudo que é a salvaguarda da documentação na Cáritas.”
Apolinário enfatiza que na arquidiocese de Santo Domingo, onde funciona na República Dominicana, será publicado em breve um documento sobre ética e sobre o protocolo para o cuidado de menores e pessoas vulneráveis. Pedimos a Deus que daqui saiam luzes para que saibamos cuidar das pessoas que nos foram confiadas.
Mude a atitude
Outra participante do curso e diretora da Pastoral Social da Cáritas no Panamá, Maribel Jaen considera este espaço de formação como um esforço para eliminar a dívida da América Latina e do Caribe com as crianças, com as pessoas que servimos em todas as nossas comunidades.
“A importância deste workshop foi que pudemos conhecer os instrumentos que a Igreja dispõe, pudemos conhecer as metodologias necessárias para detectar e também o que fazer nos momentos que são necessários quando sabemos de uma situação de vulnerabilidade”, destaca.
Maribel sai do encontro comprometida em promover o tema em sua Cáritas Nacional, transmitindo os conhecimentos recebidos “para que haja não apenas uma cultura do cuidado, mas um ambiente de cuidado em cada um dos espaços em que realizamos nosso trabalho de evangelização e serviço aos mais pobres”.
Caminho sinodal para a salvaguarda
A partir da experiência da Cáritas da Venezuela, Ricardo Suarez compartilha os esforços para cumprir. com os padrões de gestão para poder implementar um sistema de salvaguarda, proteção e responsabilização dentro da Caritas nacional.
“Estamos cumprindo o desenvolvimento de todas as regras, políticas e procedimentos, a contratação segura de pessoal, os canais de denúncia para cumprir a resposta, além da prevenção e governança e ao mesmo tempo integramos e fazemos parte da Comissão Nacional da Conferência Episcopal Venezuelana neste caminho sinodal para que nossa igreja esteja cada vez mais segura”, destaca.
Sobre o andamento do curso, Suarez comenta que esta semana foi de extrema importância. “Isso nos fez compartilhar outras experiências com nossos irmãos da América Latina e do Caribe, nos fizeram ver outras situações que devemos levar em conta no que diz respeito à vítima, ao cumprimento dos padrões de gestão”.
Acolher e ouvir as vítimas
O bispo auxiliar de San José de Costa Rica e membro da equipe regional de salvaguarda, Monsenhor Daniel Blanco, comemorou os esforços da Caritas na América Latina e no Caribe para treinar todos nos diferentes países.
Esta questão tão necessária que tem causado tanta dor à Igreja e entre nós que servimos na Igreja, seja como ministros ordenados ou como voluntários, é necessário que tenhamos consciência de proteger o menor, a pessoa vulnerável e criar ambientes seguros no seio da igreja e da nossa Caritas.
Para Blanco, como resultado das apresentações ao longo da semana, permanece a mensagem principal daquilo em que o Papa Francisco tanto insiste. “A vítima vem em primeiro lugar, que devemos ouvi-la, que devemos acreditar nela, que devemos acolhê-la, que devemos protegê-la e a partir daí o trabalho que vamos fazer na Igreja creio que será de grande reparação”, destaca.
A proximidade do Papa Francisco à Cáritas e à salvaguarda
Um dos momentos mais significativos da semana foi o audiência privada que o Papa Francisco concedeu aos participantes do curso, que durou cerca de 45 minutos. Neste encontro, o Santo Padre destacou que “salvaguardar é um nome divino”, sublinhando a importância de proteger os mais vulneráveis como ato central da missão da Igreja. Suas palavras reforçaram o compromisso da Cáritas América Latina e Caribe com a criação de ambientes eclesiais seguros e com o cuidado integral das pessoas.
O Papa ouviu os testemunhos de muitos países e encorajou os bispos e diretores da Cáritas a continuar promovendo uma cultura de cuidado em todas as comunidades, destacando que ouvir, acolher e proteger as vítimas não é apenas um dever, mas um caminho para a reparação e a reconciliação. Esta mensagem inspira a Cáritas a continuar a trabalhar com dedicação para construir uma Igreja mais segura e compassiva, comprometida com a salvaguarda de todos, especialmente dos mais pequenos e mais vulneráveis.