Cáritas América Latina y Caribe | Historias - Conferencia Eclesial de la Amazonía, CEAMA, celebra su segunda asamblea presencial

Conferência Eclesial da Amazônia, CEAMA, realiza sua segunda assembleia presencial

De 23 a 26 de agosto, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) realizou sua segunda assembleia presencial em Manaus, Brasil, uma oportunidade para reforçar o compromisso da Igreja com a defesa da Amazônia, de sua biodiversidade e de suas comunidades, em linha com a visão abrangente promovida pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si'.

Foram reunidos cerca de 70 agentes e representantes pastorais. eclesiástico, proveniente das Igrejas locais da Amazônia: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa. A Cáritas América Latina e Caribe, uma das quatro instituições fundadoras, juntamente com o Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CELAM), a Confederação Latino-Americana de Religiosos (CLAR) e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), participou de toda a Assembleia por meio de seu comunicador Marcus Neto, representando a coordenação regional.

Com o tema “Cristo aponta para a Amazônia: comunhão, missão e participação” e o lema “Façam o que Ele te mandar” (Jo 2,5), o encontro teve como objetivo consolidar a missão sinodal e apostólica do CEAMA no território amazônico, com base nos compromissos assumidos na primeira assembleia presencial, além de ser uma oportunidade para refletir sobre as realidades locais, identificar prioridades e enfrentar os desafios do região.

O dia começou com uma Eucaristia presidida pelo Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus, concelebrada pelos Cardeais Michael Czerny, Prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, e Pedro Barreto, Presidente do CEAMA.

Durante a assembleia, os participantes tiveram a oportunidade de se aprofundar em questões relacionadas à Amazônia. Esses momentos de reflexão coletiva foram complementados por discussões em pequenos grupos, onde, seguindo a metodologia da conversa espiritual, os participantes puderam compartilhar suas experiências, ouvir diferentes perspectivas e buscar juntos novos caminhos pastorais para a realidade amazônica.

Esta dinâmica de trabalho permitiu uma integração entre o diálogo aberto e a construção conjunta de propostas, fortalecendo o sentido de comunhão e corresponsabilidade na missão eclesial.

Rito Amazônico: um caminho de inculturação e renovação litúrgica

A apresentação do quadro geral do Rito Amazônico foi um dos pontos-chave da Assembleia, fruto de um caminho iniciado em 2020. O rito surge como uma proposta fundamental na renovação pastoral e litúrgica na região amazônica, respondendo à necessidade de uma profunda inculturação na vida da Igreja desde o Sínodo Amazônico.

Esta iniciativa busca integrar na liturgia elementos culturais, símbolos e expressões espirituais típicos dos povos amazônicos, reconhecendo e valorizando sua rica herança espiritual. O teólogo brasileiro Agenor Brighenti, que coordena o grupo de trabalho Rito Amazônico, afirmou em sua apresentação que o Rito Amazônico não é simplesmente uma adaptação das formas litúrgicas existentes, mas uma expressão autêntica da fé vivida na Amazônia, que reflete as particularidades de seu contexto ecológico e cultural.

Ao incorporar ritos e símbolos tradicionais, o Rito Amazônico torna-se uma ponte entre a fé cristã e as culturas indígenas, fortalecendo a identidade das comunidades e promovendo uma evangelização que respeita e enriquece os locais. tradições. Este processo de inculturação litúrgica não só revitaliza a vida eclesial na Amazônia, mas também oferece um modelo para outras regiões do mundo onde a Igreja procura tornar o Evangelho presente de forma mais próxima e relevante.

Contribuições da Igreja Amazônica para o Sínodo

No contexto da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, que será celebrada em outubro próximo, a Igreja na Amazônia deu contribuições significativas que refletem suas experiência única de sinodalidade.

Essas contribuições destacam a necessidade de uma Igreja que ouça e valorize as vozes das comunidades locais, que são aquelas que vivenciam diretamente os desafios e esperanças da região. A Igreja Amazônica tem insistido na importância de adotar uma abordagem sinodal que permita a participação real e efetiva dos povos indígenas e de todos aqueles que vivem nas periferias geográficas e existenciais.

Essas contribuições são um lembrete de que a sinodalidade não é um conceito abstrato, mas uma prática concreta que se manifesta na capacidade da Igreja de caminhar ao lado dos mais vulneráveis ​​e marginalizados.

O ministerialismo amazônico e seu impacto na igreja universal

Outro tema chave trabalhado na assembleia foi o ministerialismo amazônico, com base no que foi trabalhado no núcleo da reflexão. O ministério que se desenvolveu na Amazônia oferece uma riqueza de experiências e práticas que começam a ser reconhecidas em toda a Igreja.

Na Amazônia, a falta de sacerdotes levou à criação de novos ministérios e formas de liderança leiga que respondem efetivamente às necessidades pastorais das comunidades. Estes ministérios, que incluem mulheres e homens comprometidos com a missão evangelizadora, representam uma nova forma de ser Igreja, onde a corresponsabilidade e a participação são essenciais.

O CEAMA e as conferências episcopais são chamados a reconhecer e valorizar os ministérios desempenhados pelas mulheres na Amazônia. Além disso, propõe-se que o CEAMA solicite formalmente a Roma a criação do diaconado feminino, bem como o início de escolas de formação diaconal para mulheres na região amazônica.

Czerny: matemática e gramática do Evangelho para cumprir a missão

No final do encontro, o Cardeal Michael Czerny, que acompanhou a assembleia com atenção e espírito de escuta, desafiou o CEAMA a adoptar uma nova perspectiva tanto da matemática como da gramática, no contexto da sua missão eclesial.

O prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral sublinhou a importância de abandonar a matemática humana, que tende a dividir, para abraçar a matemática evangélica, que se baseia na multiplicação e na inclusão. Segundo Czerny, a matemática humana não é adequada para um corpo eclesial, pois gera divisões, enquanto a matemática evangélica reconhece que “se o outro cresce, eu também cresço; não é preciso perder para o outro ganhar”, convidando-nos a superar o medo de perder em favor do bem comum. Alertou para o perigo de cair na lógica da matemática humana e sublinhou a importância de cultivar um espírito de generosidade para praticar a matemática evangélica, que enriquece todos os membros da comunidade eclesial.

Do ponto de vista da gramática, o cardeal apelou a não se concentrar apenas nos verbos, mas a prestar maior atenção aos sujeitos das frases. Indicou que colocar o CEAMA como sujeito principal não condiz com uma boa eclesiologia, e que seu lugar deveria ser o de facilitador e não o de protagonista. Os verdadeiros sujeitos devem ser as pessoas, as instituições, as realidades vivas e os processos que se desenvolvem. Comunicativamente, Czerny também propôs uma mudança de linguagem, sugerindo que “nós” fosse substituído por “você”, para que os povos da Amazônia se sentissem protagonistas de sua própria história. Isso, na sua opinião, é essencial para que o CEAMA cumpra o seu propósito de promover uma Igreja que realmente ocupe o centro da vida na Amazônia. Como método para avaliar essa abordagem, sugeriu a releitura dos discursos e mensagens emitidas, garantindo que reflitam essa mudança de enfoque.

Compromissos

As reflexões e decisões que surgirem deste encontro serão fundamentais para definir o caminho futuro da Igreja na Amazônia, uma Igreja que busca ser verdadeiramente sinodal, inclusiva e comprometida com a justiça social e ambiental. Esta assembleia é um apelo a toda a Igreja para olhar para a Amazónia não apenas como uma região a proteger, mas como fonte de renovação espiritual e pastoral.

A partir da escuta atenta ao que o Espírito inspirou durante a assembleia, especialmente no trabalho realizado em pequenos grupos, foram apresentados alguns compromissos a serem assumidos conjuntamente pela conferência. Agora, cabe à presidência rever esses compromissos e apresentá-los formalmente aos delegados num futuro próximo, para que possam ser avaliados e assumidos em unidade por todos os membros da assembleia.

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