Histórias
Cáritas LAC e Cáritas Europa trabalham juntas pela justiça climática e econômica
Em um esforço para promover uma economia mais justa e solidária, a Cáritas Europa organizou uma série de workshops, sendo o último realizado com a participação ativa de representantes da América Latina e do Caribe (ALC), no dia 23 de maio.
Caritas Europa para ouvir e aprender com a Caritas LAC sobre:
- Sua visão sobre as principais áreas políticas relacionadas a uma economia justa: justiça climática e econômica;
- Sua perspectiva e expectativas sobre o papel da União Europeia na construção uma economia justa, que tenha um impacto positivo na ALC;
- A sua perspectiva e expectativas sobre o papel da Caritas Europa na defesa de que a UE promova uma economia justa; justo.
A coordenadora da Cáritas Europa, Maria Nyman, enfatizou a importância deste encontro para considerar modelos econômicos alternativos que também reflitam as preocupações da região, uma prioridade para a cooperação da União Europeia.
Nicolas Meyer, coordenador regional da Cáritas América Latina e Caribe, expressou sua satisfação ao ver o compromisso dos participantes com as questões abordadas, destacando a importância da sinodalidade na Igreja e a necessidade de levar a voz dos territórios aos órgãos de decisão.
Agradeço especialmente à Cáritas Europa. A Igreja nos propõe ser sinodais. Este gesto que a Caritas Europa está a fazer é um gesto de sinodalidade, que poderia falar ao vivo com a União Europeia, mas eles dedicaram esforço e tempo para ouvir o território. Se não ouvirem o território, não há como causar impacto.
Luis Fondello, responsável pela Cooperação Internacional na Caritas Europa, destacou o papel crucial da UE nos órgãos de tomada de decisão e destacou a tendência preocupante da UE se concentrar apenas nos seus problemas internos, ignorando as realidades de outras regiões. “Esta reflexão leva-nos a defender uma narrativa que inclua a justiça económica e o crescimento verde inclusivo”, sublinhou.
Ouvindo as experiências latino-americanas
O workshop contou com uma apresentação de dois latino-americanos, Pe. David Solano, líder da equipe de Ecologia Integral, e Giovanna Kanas, das Cárias Brasileiras.
Eles, cada um em suas apresentações, destacaram a importância de abordar a justiça climática a partir de uma perspectiva centrada na pessoa e ligada aos Direitos Humanos. Centra-se na proteção dos mais vulneráveis e na resolução de problemas complexos, reconhecendo as desigualdades existentes e trabalhando para reduzir as disparidades, incluindo a dimensão intergeracional. A justiça climática é vista não apenas como uma questão ecológica, mas também social, integrando a justiça nas discussões sobre o ambiente e promovendo a ecologia integral e o bem comum.
Entre as prioridades identificadas estão os direitos das crianças, das comunidades locais, dos povos indígenas, dos migrantes e dos refugiados, bem como a igualdade de género e a participação dos cidadãos. Além disso, é destacada a necessidade de uma transição justa para um modelo energético descarbonizado, a proteção dos ecossistemas e a redução das desigualdades. Numa perspectiva latino-americana e caribenha, enfatiza-se a redução das desigualdades de renda, educacionais, de gênero e territoriais, e promove-se a cooperação e a participação ativa no cuidado da Casa Comum.
Contribuições e compromissos
Os participantes contribuíram para a Caritas Europa a partir das suas experiências e de duas questões-chave: O que pensa que a União Europeia está a fazer e que deveria parar de fazer, e Quais são as iniciativas políticas importantes nas quais a UE não está a trabalhar, mas nas quais deveria concentrar-se? eQuais deveriam ser as principais prioridades de advocacia da Caritas Europa na União Europeia?
As contribuições convergiram nos quatro pontos principais que destacamos:
- A Cáritas Europa deve se concentrar em fortalecer a colaboração com parceiros fora da UE e em responsabilizar as empresas europeias na ALC.
- A justiça climática e a A redução das desigualdades deve ser uma prioridade fundamental.
- Uma transição justa deve ser promovida, respeitando as comunidades locais e os seus modos de vida.
- A participação da sociedade civil é crucial para um processo de defesa eficaz.
Em resumo, os participantes enfatizaram a importância de uma economia centrada nas pessoas, respeitando a autonomia local e promovendo estilos de vida responsáveis e sustentáveis. A Caritas Europa deve ser uma voz forte na justiça climática e na luta contra as desigualdades, garantindo que as políticas e ações da UE sejam verdadeiramente equitativas e beneficiem os mais desfavorecidos.