Histórias
Cáritas América Latina e Caribe lança metodologia regional para mapeamento de Unidades Produtivas Agrícolas
Com o objetivo de aprofundar o compromisso com as comunidades que guardam a terra, a equipe de Subsistência e Segurança Alimentar (MVSA), da Cáritas América Latina e Caribe, lança uma proposta metodológica para o mapeamento e análise de sustentabilidade das Unidades Produtivas Agrícolas (UPA). Esta ferramenta, que já está a ser aplicada pelas Cáritas Nacionais e Diocesanas, procura transformar a forma como a vida rural na região é entendida e acompanhada.
Um processo de aprendizagem partilhada
A iniciativa nasce da necessidade de ir além dos números e compreender as histórias de resistência e esperança no campo. Bibiana Rodríguez, da Cáritas Colombiana, explica que esta análise é, acima de tudo, uma ferramenta de escuta:
Pensamos nesta análise como uma ferramenta para compreender melhor os processos que as famílias e comunidades rurais vêm construindo em seus territórios. Observamos com eles como estão caminhando, quais são seus pontos fortes, quais desafios enfrentam e para onde querem chegar.
Para Rodríguez, o lançamento deste guia não é um fim em si mesmo, mas um meio para que as famílias reconheçam suas capacidades e para que a Cáritas reveja seu próprio papel. "A metodologia busca gerar um espaço de reflexão tanto para as próprias unidades produtivas quanto para a Cáritas. Por um lado, permite que as famílias reconheçam seu progresso, suas capacidades e sua visão de futuro. E, por outro, ajuda a Cáritas a rever e melhorar os processos de apoio que realiza nos territórios", acrescenta. onde uma pessoa, uma família ou um grupo organiza seu trabalho para produzir alimentos. Laura Rodríguez, da Cáritas República Dominicana, destaca que uma unidade produtiva é “um processo de vida”.
“Pode ser uma fazenda familiar, uma pequena fazenda ou uma experiência coletiva. ter um plano claro e estratégico para reforçar a segurança alimentar, o rendimento e a resiliência das comunidades rurais.
Com a implementação deste mapeamento, a equipe da MVSA planeja alcançar resultados estratégicos que transformarão o impacto da Cáritas no campo. De acordo com a metodologia, este exercício permitirá uma compreensão mais profunda da vida das famílias rurais para identificar as suas vulnerabilidades e oportunidades, facilitando assim a concepção de programas mais eficazes que reforcem a resiliência face às crises.
Da mesma forma, Laura Rodríguez destacou que a ferramenta será fundamental para melhorar a coordenação entre dioceses e aliados externos como ONGs, Estados e organizações internacionais, funcionando como um motor para gerar evidências sólidas que permitam influenciar diretamente a criação de políticas públicas rurais e agrícolas mais justas.
Transformação no território
Para as equipes que caminham diariamente ao lado das comunidades, esta metodologia promete uma mudança qualitativa no seu trabalho. Gerardo Torres, da Cáritas Honduras, enfatiza que o mapeamento sistemático permite reconhecer conhecimentos e potencialidades que às vezes passam despercebidos.
Quando implementado de forma participativa, o mapeamento torna-se um espaço de escuta, diálogo e construção conjunta. As comunidades não são apenas receptoras de apoio, mas protagonistas do seu próprio desenvolvimento.
Além disso, destaca que esta ferramenta “enriquece o acompanhamento pastoral e territorial, reafirmando o compromisso da Cáritas com a dignidade, o desenvolvimento humano integral e o cuidado da casa comum”.
As quatro dimensões da sustentabilidade
A análise proposta está dividida em três áreas fundamentais e uma transversal, buscando uma visão holística da produção. Juan Ferro, da Cáritas del Peru, detalha que o objetivo não é apenas ver quanto produz, mas entender se esse processo realmente ajuda a sustentar a vida das pessoas e do território:
- Ecológico: O cuidado com o solo, a água e a biodiversidade.
- Econômico: A capacidade de gerar renda e sustentar a atividade ao longo do tempo.
- Social: Organização comunitária, vínculos e solidariedade.
- Transversal: A visão de futuro das famílias e sua percepção do apoio da Cáritas.
Um exemplo concreto é a SOLYDAR, uma empresa social vinculada à Cáritas del Perú. Ferro detalha como ocorre essa análise. "A dimensão ecológica para demonstrar o compromisso com o cuidado do ambiente nas atividades produtivas. A dimensão económica permite observar como estes processos contribuem para o aumento dos rendimentos através da articulação dos produtos ao mercado. Por seu lado, a dimensão social procura identificar o crescimento das pessoas, tanto individual como coletivamente, promovendo valores como a solidariedade. Todo este processo tem também uma componente transversal de apoio integral, que permite conhecer o impacto do trabalho que é realizado em conjunto com as unidades produtivas."
Rumo a um futuro de resiliência
Ao concluir a aplicação desta metodologia em toda a região, a Cáritas espera ter consolidado um mapa claro dos sonhos e desafios de quem vive da terra, com um olhar mais profundo. Como conclui Bibiana Rodríguez, o horizonte final é a autonomia das pessoas:
O mapeamento permitirá identificar processos que já caminham para formas de produção mais sustentáveis... busca contribuir para que as próprias unidades produtivas possam continuar se consolidando como protagonistas de seu desenvolvimento, com uma visão clara de onde querem chegar.
Para conhecer a proposta metodológica desenvolvida pela equipe e que está sendo implementada na Cáritas Nacional, clique em Baixar arquivo (botão abaixo).