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Congresso no Vaticano busca caminhos para cuidado pastoral urgente dos idosos

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida convocou o II Congresso Internacional sobre a Pastoral dos Idosos na Cúria Geral da Companhia de Jesus em Roma, realizado de 2 a 4 de outubro de 2025. O encontro, sob o tema bíblico “Os vossos idosos terão sonhos” (Jl 3,1), reuniu 150 delegados de 65 países e representantes de 55 Conferências Episcopais. Da Cáritas América Latina e Caribe, participaram do encontro Nury Callata, responsável pelo Programa para Idosos da Caritas Chile, e Jorge Quintás, da Pastoral Social da Cáritas Paraguai. O encontro centrou-se na urgência de desenvolver uma pastoral que se adapte às profundas mudanças na forma de envelhecer no mundo de hoje.

O Congresso dá continuidade ao primeiro encontro internacional de 2020, intitulado “A riqueza dos anos”. Desde então, o itinerário não parou: a instituição do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos em 2021 e o ciclo de catequese sobre a velhice do Papa Francisco em 2022 consolidaram a atenção da Igreja para esta faixa etária. O II Congresso Internacional representa mais um passo neste caminho, com o objetivo de aprofundar a reflexão e identificar novos caminhos para o futuro.

Nury destaca que o II Congresso Internacional foi um momento significativo não só de reflexão, mas de encontro fraterno, onde a diversidade de experiências se tornou uma oportunidade para viver o verdadeiro jubileu. "Ali, as vozes e os testemunhos dos idosos deixaram claro que eles não são meros destinatários do cuidado pastoral, mas protagonistas ativos na vida da Igreja. A partir da minha experiência como representante do Programa de Idosos da Caritas Chile, queríamos trazer essas vozes ao Congresso: as dos líderes, das equipes diocesanas e dos idosos dos diferentes espaços da nossa Igreja, com quem trabalhamos", destacou.

Leão XIV: contra o abandono e pela esperança

No seu discurso de 3 de outubro de 2025 aos participantes do Congresso na Sala Clementina, o Papa Leão a fractura, citando acusações de que os idosos “absorvem demasiados recursos económicos e sociais, em detrimento de outras gerações, como se a longevidade fosse uma falha”. Pelo contrário, o Papa afirmou enfaticamente que “os idosos são um dom, uma bênção a acolher, e o prolongamento da vida constitui um facto positivo, de facto, é um dos sinais de esperança do nosso tempo”. Que ninguém seja abandonado! Que ninguém se sinta inútil!

Ao abordar a fragilidade humana, o Santo Padre descreveu-a não como algo de que se envergonhar, mas como uma “evocação benéfica da dinâmica universal da vida”. Destacou o ensinamento central de que “esta fragilidade, se tivermos a coragem de reconhecê-la, abraçá-la e protegê-la, é uma ponte para o céu”.

A velhice como um dom e não como um fardo

Durante os três dias do congresso, os participantes puderam partilhar experiências do trabalho desenvolvido pelas conferências episcopais e aprofundar temas específicos como “A transição demográfica: os desafios da sociedade da longevidade”; “O sentido da vida quando a vida se prolonga”; “A cultura do descartável”; “A espiritualidade dos idosos”; e “Os sonhos dos idosos”.

O Cardeal Kevin Farrell, Prefeito do Dicastério, abriu o Congresso mencionando que durante o pontificado do Papa Francisco, a pastoral para o mundo dos idosos foi intensificada e realizada de forma mais sistemática. Nos pontificados anteriores até chegar ao Concílio Vaticano II, vê-se a preocupação da Igreja com uma pastoral dedicada a eles no cumprimento da sua missão. “Os idosos são o futuro da Igreja, não apenas o seu passado: a sua experiência, a sua fé profundamente enraizada e a sua sabedoria são um tesouro inestimável para todo o Povo de Deus no seu caminho”, disse o cardeal.

O Congresso propôs ser um “laboratório de ideias e esperança” para construir uma visão compartilhada que englobe todos os cantos do planeta. Ao reunir delegados das regiões do mundo, procura consolidar uma pastoral “enraizada na escuta”, capaz de tocar com a mão as alegrias, esperanças e dificuldades dos idosos, transformando a sua sabedoria num bem essencial para o futuro da Igreja.

Para Nury, o Congresso fez um forte apelo “a passar da mera assistência à existência para um compromisso profundo que promova a participação, o protagonismo e a dignidade dos idosos como sujeitos ativos nas nossas sociedades”.

Com informações e fotos do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

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