Histórias
Cáritas América Latina e Caribe celebra o Dia do Refugiado com conversa virtual
A equipe regional de Migração, Deslocamento, Vítimas de Tráfico e Refugiados da Cáritas América Latina e Caribe organizou uma discussão virtual no dia 21 para celebrar o Dia Mundial do Refugiado. O evento foi uma oportunidade valiosa para refletir sobre a situação dos refugiados na nossa região, no contexto de Cartagena +40, e para trocar ideias e experiências sobre como podemos apoiar e promover os seus direitos e dignidade. A Red Clamor e outras organizações que trabalham na questão da mobilidade humana estiveram presentes.
Na abertura da conversa, Mons. Gustavo Rodríguez Vega, presidente da Cáritas LAC, cumprimentou os presentes e destacou que o trabalho com os refugiados é um ministério, um serviço que não pode faltar na Igreja. Referindo-se ao momento de oração, com citações do Papa Francisco, Monsenhor Gustavo destacou a importância de pensar esta realidade na perspectiva da encarnação.
Quando Jesus diz que era um estrangeiro, quer dizer que ele pessoalmente se torna presente em cada migrante e em cada refugiado, portanto, é um mistério de encarnação continuada. A encarnação não é apenas um acontecimento passageiro lá em Nazaré, lá em Jerusalém, mas Jesus continua encarnando dia após dia, com diferentes expressões, mas uma delas que é muito importante no nosso tempo é na pessoa dos migrantes. Existe Jesus!
Escutando os refugiados
Um dos momentos mais fortes da conversa foram os testemunhos dos refugiados, que compartilharam suas vidas, desafios e progressos, sua recepção nos países e sua situação atual. Os participantes puderam ouvir Ida Sandrea, migrante venezuelana que atualmente reside no Equador, Manuel Villeda Colón, cidadão salvadorenho, que busca refúgio em Honduras, e Rima Alzarzouri, refugiada síria no Brasil, que é agente pastoral da Cáritas.
Momentos artísticos também enriqueceram a atividade. A refugiada Balvina, migrante de nacionalidade venezuelana na Holanda, brindou os participantes com a música “Caminando”, de sua autoria. O refugiado nicaraguense Julio Cezar Soza, que encontrou um lar na Costa Rica, compartilhou o poema chamado Lo fatal, de Ruben Dario, que reflete a luta e a esperança que ele carrega em seu coração.
Por que é relevante participar do processo Cartagena +40?
A cientista política e mestre pela Universidade Nacional da Colômbia María Teresa Urueña, atualmente responsável pela defesa política na Rede Jesuíta com Migrantes para a América Latina e o Caribe (RJM-LAC) promovendo os direitos humanos dos migrantes forçados. A especialista nomeou sua palestra Rumbo a Cartagena +40, esclarecendo o que é Cartagena, um instrumento de proteção internacional de caráter regional, que amplia a definição de refúgio para além da Convenção e Protocolo de Genebra. “Cartagena, uma das coisas que tem, é que o reconhecimento em si é algo declarativo, por isso se chama declaração, é quem diz que é ou não refugiado. São eles que se reconhecem.”
Urueña destacou o processo de revisão da Declaração de Cartagena a cada dez anos, com a atualização do contexto, estabelecendo prioridades regionais, formulando planos de ação, formulando medidas nacionais e fortalecendo a participação da sociedade civil. As declarações anteriores foram San José (1994), México (2004), Brasil (2014) e muito em breve Cartagena+40 será realizada na Colômbia. Os desafios actuais, especialmente, são a má implementação e pouca vontade política para proteger, a gestão da migração baseada na contenção, fluxos massivos e novas causas, além da zona cinzenta instrumentalizada para restringir a protecção. Maria Teresa compartilhou os principais temas que surgiram nas consultas preparatórias para Cartagena+40.
O segundo orador da conversa foi o especialista em migração internacional e coordenador de defesa da Cáritas LAC, Víctor Genina, que apresentou o processo de negociação como tal. O Dr. Víctor comentou sobre as fases de consulta que continuam até 2 de julho, onde o governo chileno e o ACNUR compilam as propostas que governos, organizações internacionais, organizações da sociedade civil e organizações de refugiados apresentam e solicitam que estes pontos sejam incorporados à declaração e ao plano de ação. Para Víctor, é fundamental que as organizações da Cáritas, em coordenação com as pessoas que influenciam a Red Clamor e representam a Rede neste processo, elaborem um documento de posicionamento com propostas específicas para apresentar aos Itamaraty de cada país. “Se conseguirmos elaborar este documento, penso que poderemos ter a oportunidade de influenciar as instruções que os ministérios dos Negócios Estrangeiros vão enviar aos seus negociadores em Genebra.”
No final da conversa, os presentes puderam partilhar os seus desejos aos refugiados a partir de uma nuvem de palavras. Destacaram-se palavras como proteção, amor, fraternidade, solidariedade, integração, esperança, proximidade, companhia entre outras.
Este evento destacou a importância da ação coletiva e do compromisso constante para garantir os direitos dos refugiados. Juntos, podemos fazer uma diferença significativa e ajudar a construir um futuro mais justo e humano para todos.