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Economia Solidária é tema de debate na Cúpula dos Povos

 

“A Economias Solidária é o grande caminho contra a Economia Verde, que está transformando a natureza em mercadoria”, foi a afirmação que o professor Boaventura de Souza Santos, utilizou no final de sua participação na mesa de debate, da atividade sobre Desenvolvimento Solidário e Sustentável nos Territórios: Estratégias de outra economia, realizado na manhã de hoje (19), na Cúpula dos Povos.

Para Boaventura, antigamente não era necessário debater sobre Economia Solidária, por que as relações de produção eram de tal forma que garantia o respeito com o outro e com a natureza. Agora, precisamos avançar nessa discussão para combater a Economia Anti-solidária, construída pelo capitalismo. “Temos que ter em mente que a Economia Solidária não é um apêndice do capitalismo, não prestamos um serviço para ele. Ela é uma possibilidade de um futuro justo e digno”, afirmou.

Ele ainda destacou a dificuldade que o movimento de Economia Solidária possuí em se relacionar com outros movimentos e organizações. “Isso é um erro. A articulação é fundamental, assumir campanhas de maior abrangência e enfrentamento político, como por exemplo, a contra os agrotóxicos, é muito importante”, concluiu.

Também fizeram parte da mesa de debate o integrante do Celacc, Beto Ortiz, integrante do Riplacc, Luiz Eduardo Salsero e o professor Paul Singer. Ortiz apresentou o trabalho da Cáritas sobre Desenvolvimento sustentável e Territorial. “O objetivo do nosso trabalho é promover o desenvolvimento humano, integral e solidário, para que todos tenham vida em abundancia”.

Singer, em sua fala, destacou a importância de eventos como a Cúpula dos Povos, para as lutas pela Economia Solidaria. “É ilusão pensar que a Rio +20 vai mudar os modelos capitalistas e exploradores dos governantes por um mundo melhor. Mas atividades como esta,  proporciona o encontro e diálogo dos muitos militantes, vindos de muitas partes do mundo, que são capaz de fazer com que essa mudança aconteça”.

por Bruna Garbin, assessora de Comunicação da Cáritas do Rio Grande do S

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Marcha da Mulheres reúne 10 mil na Cúpula dos Povos

Encantando as ruas com cores vibrantes e gritos que ecoaram pelas ruas do Rio de Janeiro, cerca de 10 mil mulheres marcharam dizendo não à economia verde pelas ruas da cidade maravilhosa.

Movimentos sociais, com destaque para os movimentos feministas protagonizaram esta, que foi, até aqui, a maior manifestação da Cúpula dos Povos. No percurso a marcha percorreu ruas do centro do Rio, passando pela frente do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) , o grito ali era contra o financiamento governamental para os chamados “Grandes Projetos”. “A mobilização foi um sucesso. Conseguimos apresentar a crítica à economia verde sob a perspectiva do feminismo”, comentou Tica Moreno, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), uma das organizações que convocou o ato.

Além da Marcha os movimentos feministas procuram garantir presença em todas as Plenárias de Convergência que estão acontecendo na Cúpula, garantindo assim que suas demandas estarão presentes na Assembléia dos Povos, que é o maior momento deliberativo do evento.

Rede Cáritas, presente!

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A Cúpula é das Mulheres

por Monyse Ravena, assessora de Comunicação da Cáritas Ceará / Foto: Bruna Garbin, assessora de Comunicação da Cáritas Rio Grande do Sul

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Caritas Internationalis y la Economía Solidaria en Río+20

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Cáritas Francesa promove atividade para debater indústrias extrativistas

Foi com o objetivo de promover o intercâmbio das problemáticas causadas pelas indústrias extrativistas, que a Cáritas Francesa (Secours Catholique – Réseau Mondeal Caritas) reuniu na manhã desta segunda-feira, dia 18, representes do Peru, da Colômbia, e de dois países da África Central, Tchad e República do Congo, para socializarem e debaterem as realidades e os impactos de cada região.

A atividade, que ocorreu na Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro (RJ), fez parte da programação das tendas autogestionadas. De acordo com Hilda Carrera, responsável pelo Departamento de Incidência Internacional da Cáritas Francesa, nos últimos anos a entidade vem refletindo junto com parceiros, diversos conflitos ambientais e sociais gerados, principalmente, pelos grandes projetos como mineradoras e petroleiras. “O grande problema do desenvolvimento passa pelas práticas da mineração e extração de petróleo, por exemplo. Nós, enquanto uma grande rede de solidariedade, não podemos deixar que injustiças com as populações mais pobres, que são as mais afetadas, continuem acontecendo.”

A realidade de pobreza e forte contaminação do meio ambiente são características comuns aos dois países da África Central, Tchad e República do Congo, que sofrem com a exploração petroleira. Conforme explicou Gilbert Maoundonodji, coordenador da Associação pela Promoção de Liberdades Fundamentais do Tchad, as petroleiras são responsáveis pela poluição das águas, do ar e da terra.

As comunidades que sobrevivem da pesca, além de se contaminarem pelo consumo de água imprópria para o uso humano, não encontram mais peixes para sua subsistência, pois a maioria das fontes de água está ocupada pelas multinacionais do petróleo. “Inicialmente o que era para serem 300 poços de petróleo, hoje são 1200. Cerca de 100 mil pessoas são afetadas e não contam com o apoio do Estado que apenas está interessado nos lucros com o petróleo e não faz com que os investimentos cheguem até as comunidades.”

Jean Pimé Brice Mackassa, secretário permanente e assistente jurídico da Comissão Diocesana de Justiça e Paz da República do Congo, destacaram que as mesmas multinacionais ocupam diferentes territórios. “Elas estão na África, na Ásia e na América Latina. Por isso é preciso juntar os processos, ter ações conjuntas, pois não podemos permitir que realidades como estas continuem acontecendo.”

Diante do descaso do governo e das violações dos direitos humanos as organizações sociais dos dois países africanos moveram várias denúncias contra as empresas petroleiras nos seus países de origem sendo instaurados vários processos de reparação dos danos causados.

A diretora do Centro Amazônico de Antropologia e Aplicação Prática do Peru, Adda Chuecas Cabrera, falou sobre a realidade dos povos indígenas do país, também fortemente afetados pelas atividades extrativistas. Hidroelétricas, petroleiras, mineração, além da produção monocultora voltada essencialmente para a produção do biodiesel, são os principais responsáveis geradores de conflitos sociais na região. “A presença desses grandes projetos causam inúmeros impactos para os povos indígenas e o principal problema é a água, principal fonte de vida para estes povos, mas que estão amplamente contaminadas.” Estão previstas a construção de 52 hidroelétricas no Peru, boa parte delas financiada pelo Governo Brasileiro.

Segundo Adda, existem 28 milhões de indígenas na América Latina. Destes, 316 povos vive na Amazônia, um território presente em oito países da América do Sul. Somente no Peru, que é mundialmente o quarto país em biodiversidade, existem quatro milhões de indígenas em 52 diferentes etnias. “Até 1997, 11 povos desapareceram física e culturalmente e oito estão ameaçados.”

Segundo Altair Pozzebon, da Cáritas Regional Rio Grande do Sul e participante da atividade, a exploração descontrolada dos recursos naturais pelas empresas multinacionais esta comprometendo a biodiversidade e causando sérios impactos nos modos de vida das populações tradicionais. “Precisamos denunciar esses projetos e debater com o povo um modelo de desenvolvimento sustentável e solidário que gere vida e vida em abundância para todas e todos”.

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